

Obras provocam redução de unidades de conservação
Em benefício da construção do Complexo Tapajós, em sua totalidade composto por seis usinas hidrelétricas, o governo federal decidiu reduzir o tamanho de cinco Unidades de Conservação (UCs) na bacia do rio Tapajós, no Pará. A informação foi divulgada pelo Instituto Socioambiental (ISA). Os parques nacionais (PARNA) da Amazônia e do Jamanxim, as florestas nacionais (Flona) de Itaituba I e II e a área de proteção ambiental (APA) do Tapajós terão suprimidos. No total ficarão desprotegidos e poderão ser inundados 78 mil hectares, o equivalente a 78 mil campos de futebol ou uma área maior do que a cidade de Salvador, na Bahia.
A medida veio para permitir o licenciamento e a implantação de três das hidrelétricas do Complexo: São Luiz do Tapajós (6,1 mil MW de potência instalada), Jatobá (2,3 mil MW) e Cachoeira dos Patos (272 MW). Conforme comunicado oficial do ISA, esta "foi a solução encontrada para driblar a lei, que dificulta ou proíbe a construção de usinas em unidades de conservação que devem ser atingidas". A decisão pode se tornar oficial em julho por meio de projeto de lei ou Medida Provisória (MP).
A área que deixará de contar com proteção ambiental é rica em biodiversidade. Para Eduardo Góes Neves, professor da Universidade de São Paulo (USP), a construção do complexo no rio Tapajós é extremamente preocupante, pois pode destruir sítios arqueológicos. "Uma catástrofe", diz. "Os lagos gerados pelas barragens inundarão parte das unidades de conservação do mosaico da BR-163, além de alagar parte da BR-230, o que gerará mais desmatamentos, para realocar parte das rodovias. O complexo vai atingir o maior mosaico de unidades de conservação do Brasil, criado para barrar os desmatamentos. É muita incongruência", afirma Maria Lúcia Carvalho, gestora do Parque Nacional da Amazônia. O impacto das seis usinas também pode atingir os povos indígenas das terras Munduruku, Saí Cinza e Apiacás.